
Ativistas judeus presos na Trump Tower enquanto os EUA reprimem protestos pró-Palestina em universidades
Repressão nas Universidades Americanas: Quando o Ativismo Estudantil se Torna um Risco à Segurança Nacional
Manifestantes Judeus Invadem a Trump Tower, 98 Presos em Confronto Sobre a Palestina
Em 13 de março de 2025, um evento paradoxal aconteceu em Nova York. Quase 300 membros do Jewish Voice for Peace (Voz Judaica pela Paz) entraram na Trump Tower em um protesto coordenado, exigindo a libertação de Mahmoud Khalil – um estudante da Universidade de Columbia e ativista pró-Palestina, recentemente detido pelas autoridades de imigração dos EUA. O protesto, onde os participantes mostraram camisetas vermelhas com slogans contra ajuda militar, foi rapidamente reprimido pela polícia. No final da manifestação de duas horas, 98 manifestantes foram presos por invasão e obstrução.
Mas isso foi mais do que apenas mais um protesto em Manhattan. O evento destacou uma repressão crescente do governo ao ativismo nos campi – especialmente contra vozes pró-Palestina – e uma postura governamental em evolução que considera tais protestos como ameaças à segurança nacional.
Um Segundo Estudante de Columbia Preso: A Expansão da Repressão à Imigração
No dia seguinte, 14 de março de 2025, outra estudante da Universidade de Columbia, Leqaa Kordia, foi detida pela Investigação de Segurança Interna. Kordia, uma estudante palestina da Cisjordânia, havia ultrapassado o prazo do seu visto de estudante desde janeiro de 2022. Embora a fiscalização de vistos não seja incomum, sua prisão – após o caso Khalil – levantou sérias preocupações sobre a perseguição a ativistas.
Essa ação não é isolada. O governo Trump intensificou o controle dos protestos universitários, principalmente aqueles considerados favoráveis às causas palestinas. Políticas como revogação de vistos e iniciativas de autodeportação foram introduzidas para impedir que estudantes estrangeiros se envolvam no que o governo considera ativismo anti-americano.
O Cálculo Político por Trás da Repressão
As detenções de Khalil e Kordia devem ser vistas em um contexto mais amplo: a abordagem em evolução do governo dos EUA em relação à dissidência nos campi como uma questão de segurança nacional.
Durante anos, os EUA consideraram o ativismo pró-Palestina como uma questão geopolítica sensível. O governo Trump, no entanto, foi além – ligando explicitamente os movimentos pró-Palestina ao extremismo. Declarações da Casa Branca enfatizam que as agências federais estão monitorando ativamente o ativismo estudantil, com um alto funcionário afirmando: "Vamos encontrar, prender e deportar aqueles que simpatizam com organizações terroristas."
As consequências dessas políticas foram imediatas. As universidades estão cada vez mais divididas entre as pressões de Washington e as exigências dos estudantes por proteção à liberdade de expressão. Os investidores no setor de ensino superior devem estar atentos: o aumento da intervenção governamental pode remodelar as matrículas de estudantes internacionais, os modelos de financiamento e até mesmo as práticas de contratação acadêmica.
O Paradoxo do Protesto: Quando Judeus Protestam Contra a Política dos EUA em Relação a Israel
Um dos aspectos mais marcantes dessa situação é que o protesto liderado pelo Jewish Voice for Peace na Trump Tower foi pró-Palestina. Isso vai contra uma narrativa política comum – que assume um apoio judaico uniforme às políticas sionistas.
Dentro da comunidade judaica, sempre existiu uma divisão entre sionistas e anti-sionistas, com os últimos argumentando que a existência de Israel como um estado contradiz os princípios religiosos. Em sua opinião, Israel não é uma entidade legítima porque, de acordo com os ensinamentos judaicos tradicionais, o Messias ainda não chegou para estabelecer o governo divino.
Essa divisão está agora se manifestando de forma altamente visível e politicamente carregada. O fato de ativistas judeus terem sido presos por protestar em apoio aos palestinos torna a rotulagem generalizada do governo de ativismo pró-Palestina como antissemita cada vez mais insustentável. O governo Trump está agora enfrentando a realidade de que sua postura pró-Israel não é universalmente aceita – nem mesmo entre os judeus americanos.
Considerações para Investidores: Como Isso Afeta os Negócios e o Ensino Superior
Para investidores e empresas com interesses no setor de educação dos EUA, essa repressão sinaliza mudanças sísmicas na política que podem perturbar os modelos financeiros. Eis o porquê:
- Riscos nas Matrículas de Estudantes Internacionais: Com a revogação de vistos e o aumento do controle sobre o ativismo, as universidades podem ver uma redução nas matrículas internacionais, especialmente de estudantes de regiões politicamente sensíveis.
- Reação Contra Financiamento e Doadores: À medida que o ativismo nos campi se torna entrelaçado com a política externa, doadores filantrópicos e financiadores institucionais podem repensar seus compromissos financeiros com universidades percebidas como politicamente controversas.
- Expansão de Tecnologia e Vigilância: O aumento do interesse do governo em monitorar a dissidência nos campi pode levar a novos investimentos em tecnologia de vigilância, particularmente ferramentas baseadas em IA para rastrear a atividade política dos estudantes.
A questão para empresas e investidores é se este momento é uma mudança temporária ou o início de um realinhamento de longo prazo na forma como os EUA gerenciam o discurso político em seus campi.
Qual o Próximo Passo? O Risco de Agitação Nacional
Alguns analistas políticos alertam que essas prisões e a repressão mais ampla à dissidência nos campi podem desencadear uma onda de protestos em massa, lembrando a agitação nacional do final de 2020.
Com apoiadores do MAGA e ativistas judeus anti-sionistas compartilhando repentinamente frustrações com a política EUA-Israel, alianças políticas improváveis poderiam surgir, remodelando tanto os protestos domésticos quanto o cenário eleitoral de 2025. Ao mesmo tempo, o risco de escalada da agitação civil – potencialmente alimentada pelas prisões de estudantes ativistas – poderia enviar ondas de choque por setores que vão do ensino superior às indústrias de segurança e vigilância.
A detenção de Khalil e Kordia não se trata apenas de dois estudantes. Trata-se do futuro da dissidência política na América, dos limites da política de segurança nacional e das linhas de falha inesperadas que emergem tanto nos movimentos ativistas pró-Palestina quanto nos judeus.
Se essa tendência continuar, 2025 poderá muito bem testemunhar os protestos de campus e de rua mais intensos desde a era da Guerra do Vietnã.