Just Eat Takeaway Vendido por €4,1 Bilhões à Medida que a Entrega de Comida se Torna uma Guerra Agressiva de Baixa Margem

Por
Tomorrow Capital
5 min de leitura

Just Eat Takeaway Vendida por €4,1 Bilhões em um Mercado Competitivo e com Baixas Margens

Prosus Assume o Controle da Just Eat Takeaway em uma Disputa Acalorada por Entregas de Comida

A Just Eat Takeaway, uma das maiores plataformas de entrega de comida da Europa, será comprada pelo grupo de investimento Prosus por €4,1 bilhões em dinheiro. Essa negociação marca uma mudança importante no mercado de entrega de comida online. A oferta de €20,30 por ação representa um aumento de 22% em relação ao preço mais alto recente das ações, mas ainda está abaixo do preço de sua oferta inicial (IPO) de 2016, que foi de €23,50.

Espera-se que o acordo seja finalizado até o fim de 2025, dependendo da aprovação dos acionistas, e resultará na retirada da Just Eat Takeaway do mercado de ações. Para a Prosus, essa é a ação mais importante sob o comando do CEO Fabricio Bloisi, que pretende fortalecer a posição da empresa no mercado europeu e posicioná-la como uma "campeã da tecnologia" no setor.

O Crescimento da Pandemia Que Virou Pesadelo

1. A Era de Ouro da Entrega de Comida Não Durou Muito

A pandemia impulsionou os serviços de entrega de comida a uma demanda sem precedentes. A Just Eat Takeaway, assim como seus concorrentes, se beneficiou do aumento nos pedidos, o que elevou o preço de suas ações a níveis recordes. No entanto, com o fim dos lockdowns e a normalização do comportamento do consumidor, o setor enfrentou uma correção acentuada. A queda repentina no crescimento deixou muitas empresas superdimensionadas e lutando para manter a lucratividade.

2. Aquisição da Grubhub: Um Erro de Bilhões de Dólares

A decisão da Just Eat Takeaway de adquirir a Grubhub, empresa americana, por US$7,3 bilhões em 2021 se mostrou um erro caro. Com a diminuição da demanda, o desempenho da Grubhub piorou, forçando a Just Eat Takeaway a vender o negócio em novembro de 2023 por apenas US$650 milhões – uma baixa contábil enorme que contribuiu para uma perda de €1,16 bilhão em 2024. A expansão fracassada afetou a confiança dos investidores e reduziu significativamente o valor da empresa.

3. Concorrência Brutal e Margens Pequenas

O negócio de entrega de comida opera com margens pequenas, com altos custos operacionais ligados à logística, marketing e salários dos entregadores. A Just Eat Takeaway tentou cortar gastos retirando suas ações da Bolsa de Valores de Londres no final de 2023, focando nos mercados europeus. No entanto, a concorrência cada vez maior da Uber Eats, DoorDash e Deliveroo, juntamente com o controle regulatório sobre a classificação dos trabalhadores e os limites de taxas, continua a pressionar a lucratividade.

4. De Queridinha do Mercado de Ações a Uma Venda Difícil

Apesar de a Prosus oferecer um valor mais alto do que o preço recente das ações, a avaliação da Just Eat Takeaway continua sendo uma pequena parte do seu pico de 2020. Isso reflete o ceticismo geral dos investidores sobre o potencial de crescimento do setor a longo prazo. Antes vistas como empresas inovadoras de alto crescimento, as plataformas de entrega de comida agora estão sendo avaliadas por sua capacidade de alcançar lucratividade sustentável em vez de expansão sem fim.

A Dura Realidade: A Entrega de Comida Não É Mais Uma Galinha dos Ovos de Ouro

O Efeito Dominó em Todo o Setor

As dificuldades da Just Eat Takeaway não são exclusivas. O setor de entrega de comida como um todo está enfrentando uma combinação de desafios:

  • Correção da demanda pós-pandemia: As empresas que cresceram agressivamente durante a COVID-19 agora estão lutando para manter o volume de pedidos.
  • Obstáculos regulatórios: Muitos lugares estão impondo leis trabalhistas mais rígidas, aumentando os custos para as plataformas que dependem de trabalhadores autônomos.
  • Saturação do mercado e guerras de preços: A concorrência intensa força as empresas a diminuir as taxas, reduzindo ainda mais as margens.
  • Ineficiências operacionais: O custo de adquirir clientes e manter as frotas de entrega continua alto, limitando a lucratividade.

Até mesmo líderes do setor como DoorDash e Uber Eats encontraram esses obstáculos, com alguns relatando trimestres lucrativos, mas enfrentando incertezas contínuas.

O Futuro da Entrega de Comida: Um Jogo de Sobrevivência de Alto Risco

1. Apenas os Maiores Jogadores Sobreviverão

Apenas as plataformas com grande escala sobreviverão. Os jogadores menores terão dificuldades para competir, levando a mais consolidação. As empresas que dominam seus mercados regionais – seja por meio de aquisições ou cortes de custos agressivos – terão uma vantagem.

2. IA e Automação: A Última Esperança de Lucratividade?

Para melhorar as margens, as plataformas de entrega de comida estão investindo muito em logística orientada por IA e automação. A Prosus, por exemplo, planeja integrar tecnologia avançada às operações da Just Eat Takeaway, semelhante à sua abordagem com o iFood no Brasil. No entanto, a IA e a robótica não são soluções imediatas – exigem um investimento significativo e aprovação regulatória antes que possam impactar significativamente os custos.

3. As Plataformas de Entrega de Comida Devem Evoluir ou Morrer

As plataformas de maior sucesso evoluirão além da entrega de comida pura. As empresas que integram entrega de supermercado, soluções de tecnologia financeira e programas de fidelidade de clientes terão uma vantagem na manutenção do envolvimento e no aumento da frequência de pedidos.

A Lição da Jornada Turbulenta da Just Eat

A aquisição da Just Eat Takeaway pela Prosus destaca uma mudança fundamental no setor de entrega de comida – da expansão agressiva ao modo de sobrevivência. O setor não se trata mais de crescimento rápido, mas sim de eficiência operacional e posicionamento estratégico. Os investidores devem estar atentos: embora a entrega de comida continue sendo um serviço valioso, seu modelo de negócios está se mostrando uma batalha de longo prazo de escala, corte de custos e otimização impulsionada pela tecnologia, em vez de um negócio lucrativo e de alta margem.

À medida que o setor amadurece, apenas os maiores e mais inovadores jogadores resistirão às pressões dos obstáculos regulatórios, preços competitivos e mudanças nos hábitos do consumidor. A lição? A entrega de comida não é mais uma empresa inovadora – é apenas mais um negócio de commodities lutando para sobreviver.

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