
Shell reduz previsão de GNL do 4º trimestre em meio a perdas comerciais e imparidades de US$ 3 bilhões
Shell revisa previsão de produção de GNL para o 4º trimestre de 2024 em meio a desafios operacionais e mudanças estratégicas
8 de janeiro de 2025 – A Shell, líder global no setor de energia, anunciou uma redução significativa em sua previsão de produção de gás natural liquefeito (GNL) para o quarto trimestre (4T) de 2024. Essa medida, juntamente com alertas de resultados comerciais menores, destaca a navegação da empresa por um período de desafios operacionais e realinhamento estratégico.
O que aconteceu
Em uma atualização financeira recente, a Shell divulgou que reduziu sua previsão de produção de GNL para o 4T de 2024 para entre 6,8 e 7,2 milhões de toneladas métricas, uma diminuição em relação às 7,5 milhões de toneladas métricas previstas anteriormente para o 3T de 2024. Essa redução se deve principalmente à diminuição das entregas de gás combustível e a um menor número de embarques. Além disso, a Shell projetou resultados de otimização e comercialização significativamente menores em sua divisão de Gás Integrado em comparação com o 3T, atribuindo essa queda ao impacto não monetário do vencimento de contratos de hedge estabelecidos em 2022.
Operacionalmente, a Shell está passando por manutenção programada em sua instalação de Gás para Líquidos (GTL) Pearl, no Catar, o que deve impactar ainda mais a produção do 4T. A previsão de produção de Gás Integrado foi ajustada para baixo, para entre 880 e 920 mil barris de óleo equivalente por dia (kboe/d), abaixo dos 941 kboe/d do 3T.
Financeiramente, a Shell prevê perdas não monetárias, após impostos, que variam de US$ 1,5 bilhão a US$ 3 bilhões, incluindo até US$ 1,2 bilhão em sua divisão de renováveis. Os segmentos de Comércio e Otimização de Produtos e Químicos também devem apresentar quedas significativas, com a divisão de Químicos projetando um prejuízo para o 4T.
Principais pontos
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Previsão reduzida de produção de GNL: A produção de GNL da Shell para o 4T de 2024 foi reduzida para 6,8 a 7,2 milhões de toneladas métricas, de 7,5 milhões de toneladas métricas no 3T, devido à menor entrega de gás combustível e embarques.
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Resultados comerciais menores: Espera-se que a divisão de Comércio e Otimização de Gás Integrado tenha um desempenho significativamente pior do que no 3T, principalmente devido ao vencimento de contratos de hedge.
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Impacto da manutenção operacional: A manutenção programada na instalação Pearl GTL, no Catar, reduzirá a produção de Gás Integrado para 880-920 kboe/d, de 941 kboe/d.
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Perdas financeiras: A Shell prevê perdas não monetárias, após impostos, entre US$ 1,5 bilhão e US$ 3 bilhões, incluindo até US$ 1,2 bilhão no setor de renováveis.
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Queda na divisão de Químicos: Fatores sazonais devem causar uma queda significativa nos resultados de Comércio e Otimização de Produtos e Químicos, com a divisão de Químicos provavelmente incorrendo em perdas no 4T.
Análise aprofundada
A perspectiva revisada da Shell para o 4T de 2024 destaca um desafio multifacetado que abrange quedas na produção, perdas financeiras e realinhamentos estratégicos. A redução na produção de GNL é uma resposta direta à diminuição das entregas de gás combustível e embarques, refletindo volatilidades mais amplas do mercado e interrupções na cadeia de suprimentos. Essa contração não apenas afeta as receitas imediatas, mas também posiciona a Shell em uma posição mais competitiva contra gigantes do setor como TotalEnergies e ExxonMobil, especialmente em regiões com alta demanda, como Ásia-Pacífico.
A queda prevista nos resultados de comercialização e otimização dentro da divisão de Gás Integrado sinaliza potenciais fraquezas nas estratégias de gestão de riscos da Shell, particularmente no que diz respeito ao vencimento de contratos de hedge. Essa pressão financeira é exacerbada pela manutenção programada na instalação Pearl GTL, que, embora essencial para a integridade operacional a longo prazo, contribui para perdas de produção e receita de curto prazo.
Financeiramente, as perdas projetadas de até US$ 3 bilhões refletem um pivô estratégico para longe de segmentos menos lucrativos ou com baixo desempenho, principalmente na divisão de renováveis. Essa medida sugere um reajuste do foco de investimento da Shell, priorizando operações tradicionais de combustíveis fósseis em detrimento de empreendimentos de energia renovável. Embora isso possa agradar os acionistas que buscam lucratividade imediata, isso levanta preocupações entre os investidores focados em ESG em relação ao compromisso da Shell com as transições de energia sustentável.
Além disso, as perdas esperadas na divisão de Químicos, influenciadas por fatores sazonais, indicam desafios na estratégia de diversificação da Shell. O baixo desempenho persistente neste segmento pode exigir ajustes estratégicos adicionais para garantir a viabilidade e a lucratividade a longo prazo.
Você sabia?
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Ênfase estratégica em GNL: Apesar dos desafios atuais de produção, a Shell continua a priorizar o GNL como um componente principal do negócio, prevendo um crescimento substancial da demanda até 2040, particularmente em mercados emergentes.
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Redução de investimentos em renováveis: A Shell recentemente reduziu os investimentos em novos projetos de energia eólica offshore e reestruturou sua divisão de energia, sinalizando uma mudança estratégica para segmentos de energia mais lucrativos.
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Posicionamento de mercado: O foco da Shell em GNL está alinhado com as tendências globais de energia, posicionando a empresa para capitalizar a crescente dependência do gás natural como combustível de transição para um futuro com menores emissões de carbono.
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Resiliência financeira: Mesmo com as perdas projetadas, a Shell mantém um fluxo de caixa robusto, apoiado por suas fortes operações de negócios a montante e estratégias de gastos de capital disciplinadas.
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Manutenção operacional: A instalação Pearl GTL, no Catar, que está passando por manutenção programada, é um ativo crucial para a Shell, contribuindo significativamente para sua capacidade de produção de Gás Integrado.
A perspectiva da Shell para o 4T de 2024 resume um período de recalibração estratégica em meio a desafios operacionais e financeiros. Embora a previsão imediata indique redução na produção e resultados comerciais menores, o foco de longo prazo da empresa em GNL e a gestão financeira disciplinada sugerem resiliência e adaptabilidade na paisagem energética em evolução. Investidores e analistas de mercado acompanharão de perto as próximas divulgações financeiras e iniciativas estratégicas da Shell para avaliar a trajetória da empresa no atendimento às demandas globais de energia e na manutenção do valor para os acionistas.